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Rio de Janeiro – A baixa venda de ingressos no início criou um receio de poucas pessoas durante as Jogos Paralímpicos e arenas vazias. Mas foi só a Olimpíada terminar para o torcedor mostrar todo o seu interesse nas Paralimpíadas, com recordes diários de vendas de bilhetes. O público se emocionou, lotou as arenas, vibrou e mostrou que está junto com o paradesporto brasileiro. Dois milhões e 100 mil pessoas compraram ingressos e frequentaram as arenas de competições no Rio de Janeiro. No primeiro fim de semana da competição, nos dias 10 e 11, a presença de torcedores foi maior do que no primeiro fim de semana dos Jogos Olímpicos, que têm mais visibilidade.

Atletas e comissões técnicas de outras delegações, segundo o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro e vice-presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC – sigla em inglês), Andrew Parsons, se mostraram impressionados da forma como o público acolheu o evento e os paratletas.

“Dois milhões e cem mil pessoas compraram ingressos para os Jogos Paralímpicos. Os outros países comentavam como o povo brasileiro e os cariocas abraçaram o evento. A nadadora Edênia Dorta, que é uma atleta muito experiente, disse que não conseguia parar de olhar pra torcida e que nunca imaginou vivenciar isso. Acho que as Paralimpíadas vão influenciar outras pessoas. Sempre acontece um “boom” após grandes competições, até com profissionais de educação física. A gente viu muitas pessoas com deficiência nas instalações, um número três vezes maior de cadeirantes no Parque do que nos Jogos Olímpicos. Vemos um aumento no número de pessoas que vão se envolver e praticar os esportes paralímpicos”, declara.

Medalhista nove vezes em nove provas nos Jogos Paralímpicos, o nadador Daniel Dias sentiu de forma intensa, sempre que esteve na piscina, toda a energia que emanava das arquibancadas.

“Foi algo incrível, algo que o esporte proporcionou para nós, atletas paralímpicos. Nesses dez dias de competições, eu pude ver famílias inteiras nas arquibancadas e os pais das crianças apontando pra gente e dizendo: ‘Olha filho, esse é um grande exemplo pra você’. E eu tentei transmitir isso pra eles, que podemos fazer qualquer coisa e isso só depende de uma escolha”, disse.

O experiente nadador Clodoaldo Silva, que encerrou a sua carreira nos Jogos do Rio e que já competiu no mundo inteiro, afirma que está surpreso até agora com a quantidade e com a qualidade da torcida brasileira.

“Até um tempo atrás, eu tinha receio se ia lotar ou não. E as Paralimpíadas bateram recordes de público. Parece que a ficha não caiu ainda. Os momentos que vivemos aqui, a torcida comparecendo na natação e em outras modalidades. Foram momentos inesquecíveis”, afirma. (Bruno Trindade/enviado especial)