O Estado

A operação “Pegadores”, deflagrada na última quinta-feira, 16, e que verificou um esquema de corrupção na Secretaria de Estado da Saúde (SES) foi mais um capítulo de uma gestão governista marcada por denúncias de corrupção em todos os anos de mandato de Flávio Dino. A gestão enfrentou ações da polícia, fato que vai na contramão de quem bradou, no Palácio, no dia de sua posse, que seria o mais honesto dos políticos.

Em 2015, uma das adjuntas da Secretaria de Educação, Simone Limeira, foi acusada após investigações de cobrar propina de índios na região de Grajaú, para liberar licenças de transporte nas aldeias. Ela foi afastada, sob a promessa de que seria alvo de investigação, no entanto, no ano seguinte, foi candidata comunista nas eleições em Grajaú, com o apoio do próprio Dino.

Ainda no primeiro ano de mandato, operações da Polícia Civil derrubaram outros dois auxiliares ligados ao governador Flávio Dino. Inicialmente, foi o assessor regional da Secretaria de Articulação Política, José Wellington Leite, envolvido de acordo com os investigadores com o agiota Josival Cavalcanti, o Pacovan. Em seguida, o assessor especial da mesma pasta, Walter França Silva Júnior, também aparece envolvido com cheques de Pacovan.

Os dois auxiliares foram afastados pelo Governo, mas o relatório prometido pelo próprio Executivo Estadual que apuraria o caso não foi divulgado. Outro caso marcante foi do homem de confiança de Dino, o advogado Antonio Nunes. Ele apareceu envolvido em um contrato de R$ 25 milhões com uma empresa criada em plena campanha de 2014. Mesmo denunciado, o sócio comunista de Dino continuou no órgão, sem que nada acontecesse.

Em 2016, foi a vez de Rosângela Curado. Então secretária-adjunta de Saúde, a pedetista deixou o governo em uma obscura decisão que gerou forte especulação.

Em 2017, o ano da corrupção comunista começa com denúncia contra um assessor da Secretaria de Administração Penitenciária, Danilo dos Santos, preso na Operação Turing, da Polícia Federal. Em nota, o governo explicou que já havia exonerado Danilo dos Santos dos quadros do governo. E negou ter recebido informações privilegiadas da PF.

Os três anos de mandato de Flávio Dino foram marcados também pelo escândalo dos alugueis camaradas, por desvio de recursos da previdência para usar em asfalto e por malfeitos na Secretaria de Segurança.

Cronograma da corrupção comunista

2015

Simone Limeira, da Seduc: foi acusada de cobrar propina para liberar transporte escolar em aldeias indígenas; mesmo assim, foi a candidata de Flávio Dino em Grajaú.

José Wellington Leite: o assessor do secretário Márcio Jerry foi descoberto com um cheque do agiota Pacovan em seu poder. Mesmo assim, atuou nas campanhas comunistas em 2016;

2016

Antonio Nunes: chefe do Detran, o ex-sócio de Flávio Dino foi acusado de beneficiar com R$ 25 milhões uma empresa criada apenas para este contrato. Hoje chefia a Segov.

Rosângela Curado: às vésperas das eleições municipais, a então adjunta da Saúde deixa o cargo em circunstâncias obscuras. Mesmo assim, foi a candidata de Flávio Dino em Imperatriz.

2017

Danilo dos Santos: adjunto na Secretaria de Administração Penitenciária chefiava esquema de desvio de recursos e foi pego pela Polícia Federal.

Rosângela Curado: afastada do governo, mas com atuação ainda forte na Saúde, ex-adjunta foi presa por participação em esquema de pagamento a funcionários fantasmas.