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O Brasil é um país de contrastes. Um deles foi revelado por pesquisa global, realizada pela empresa Worldpay, que mostra que a cada quatro usuários de e-commerce do país, um deles se enquadra no perfil de “supercomprador”, que gasta, em média, R$ 4.500 por mês. No resto do mundo, essa média é de 8%.

Eles respondem por 92% de todo o consumo na rede. A pesquisa realizada em dez países, com 20 mil pessoas, reflete uma concentração de compradores online brasileiros nas classes mais ricas. “Esse dado está de acordo com as pesquisas que realizamos no E-bit. Desde 2013, temos visto que as classes mais populares estão deixando de comprar pela internet. Naquele ano, a classe C representava 53% dos compradores na internet; no primeiro semestre de 2016, esse índice foi de 37%”, explica o CEO do E-bit, Pedro Guasti.

Segundo a pesquisa da Worldpay, no Brasil, essa elite de gastadores tem, em média, 31 anos, 73% com alta renda, 54% são do sexo masculino, e 42% afirmam fazer, em média, uma compra por dia na internet.

“Compro tudo pela internet, de roupa a chuveiro”, afirma o empresário Guilherme Loesch, que gasta, em média, R$ 2.000 por mês com compras na internet, incluindo produtos e serviços como passagens aéreas. Ele relata que montou um apartamento recentemente, e todas as compras foram feitas pela web. Segundo ele, nesse período, seus gastos mensais chegaram a R$ 5.000.

“A comodidade ainda compensa”, avalia Guilherme. O empresário, porém, diz que já enfrentou problemas com a entrega. “A qualidade dos serviços das grandes lojas caiu”, opina Guilherme, que é usuário de e-commerce há 15 anos. “O que algumas empresas demoram 40 dias para entregar, outras resolvem em três dias”, avalia. A logística e a operação são um ponto de cuidado na opinião de Guasti. “Um dos desafios do e-commerce no país, inclusive para crescermos em setores como alimentos, bebidas e perecíveis, é a operação”, afirma.

A pesquisa aponta que entre os produtos mais adquiridos pelos grandes compradores brasileiros estão os equipamentos elétricos e eletrônicos, já que 47% dos entrevistados afirmou que a última aquisição foi um eletrônico. “Compro tudo pela internet, e muito eletrônico”, conta a universitária e professora Amanda Siqueira dos Santos, 21. Ela conta que chegou a comprar, em um único mês, um computador, dois celulares e um forno micro-ondas. “Gastei mais de R$ 4.000 em um único mês”, admite Amanda. Além de eletrônicos, ela diz que faz compras na rede pelo menos uma vez por semana de itens como roupas, maquiagens e sapatos. “Até remédio agora eu só peço na rede. É muito mais fácil achar um produto na internet do que andando na rua”, diz.

Compras no smartphone aumentam

Os consumidores brasileiros estão em terceiro lugar entre aqueles que mais utilizam o smartphone para comprar, atrás da China e da Austrália, segundo a Worldpay. “Compro mais pelo celular do que pelo computador, porque viajo muito”, conta o empresário Guilherme Loesch.

Em junho, de todas as compras feitas pela web, 23% foram feitas em dispositivos móveis, segundo o E-bit. “Hoje, 50% do tráfego nas lojas via smartphone não gera venda. Muitos só pesquisam, temos que melhorar isso”, avalia Pedro Guasti, CEO do E-bit. (Por Ludmila Pizarro)

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