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No filme Para sempre Alice, a atriz Julianne Moore interpreta Alice Howland, uma renomada pesquisadora que, aos 50 anos, é diagnosticada com Alzheimer. Tratava-se de um tipo raro da doença, desencadeado por uma mutação genética dominante e hereditária. Ao realizar um teste genético, a professora de linguística descobre que herdou do pai a alteração causadora da enfermidade neurodegenerativa. Teoricamente, teria quase 100% de chance de desenvolver a patologia e seus três filhos, 50% de probabilidade de herdá-la. Como uma das filhas fazia tratamento para engravidar, ela se submeteu à seleção de embriões para impedir que os netos de Alice herdassem o problema.

Além do cinema, em franca evolução, as técnicas para a seleção de embriões ganharam o primeiro impulso nos anos de 1990, na Europa e nos Estados Unidos, resultado da necessidade de analisar embriões que seriam implantados em pacientes com histórico de doenças familiares. O principal objetivo era evitar que essas patologias fossem transmitidas aos filhos antes da implantação dos embriões no útero. No Brasil, a primeira gravidez decorrente do diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) foi registrada em 1996, usando a técnica de Fish.

O PGD envolve a remoção de algumas células de um embrião, resultado da fertilização in vitro, para testá-lo em uma patologia genética específica, antes da sua implantação no útero. Também com a mesma função, o rastreamento genético pré-implantacional (PGS) é mais recente, muito utilizado nos últimos cinco anos. Ele permite verificar a normalidade de todos os cromossomos dos embriões, não o diagnóstico de uma doença específica. (Por Ellen Cristie)