Em um dia dedicado às testemunhas convocadas pela defesa da presidente afastada Dilma Rousseff, a segunda sessão do julgamento da petista, nesta sexta-feira (26), mais uma vez, foi marcada por brigas entre os parlamentares.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que protagonizou no primeiro dia do processo um bate-boca com Ronaldo Caiado (DEM-GO), agora teve uma discussão com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, precisou suspender a sessão por duas vezes em menos de meia hora, Renan Calheiros tentou acalmar os ânimos, mas piorou a situação ao provocar Gleisi. “Fico muito triste porque essa sessão mostra que a burrice é infinita. Ontem a Gleisi chegou a dizer que o Senado não tem moral para julgar o impeachment”, afirmou. “Justamente a senadora que o presidente do Senado livrou de um indiciamento no STF”.

Gleisi rebateu o comentário e, a partir deste momento, a confusão se tornou generalizada. Lewandowski teve de suspender a sessão mais uma vez e decidiu só retomar os trabalhos após o almoço.

Durante a noite, mais uma bate boca. Janaína Paschoal perguntou a uma das testemunhas de defesa, o economista e advogado Geraldo Prado, se ele considera a Venezuela um “modelo de democracia”. O questionamento gerou um breve tumulto. Lewandowski decidiu, por fim, indeferir a pergunta de Janaína, por avaliar que se tratava de uma preferência ideológica.

Belluzo participa como informante

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo criticou o processo de julgamento da presidente afastada. Ele estava listado inicialmente como testemunha de defesa no processo, mas participou apenas como informante, a pedido de Cardozo.

“Considero que o afastamento da presidente pelos motivos alegados é um atentado à democracia”, afirmou o economista, em depoimento no plenário do Senado.

Belluzzo disse ter uma grande preocupação com a sobrevivência da democracia no Brasil. Ele disse que o país foi beneficiado por um ciclo favorável à exportação de commodities entre 2004 e 2010, mas que o governo cometeu erros quando houve uma desaceleração da economia. “Vou dar a minha opinião”, destacou.

Dilma não pode ser culpada, diz Prado

Ouvido como testemunha de defesa, o economista e advogado Geraldo Prado afirmou que a petista não pode ser responsabilizada pela edição de decretos de abertura de crédito suplementar em desacordo com a meta fiscal, pois ela agiu com base em pareceres técnicos afirmando que os decretos eram legais.

Prado explicou que a edição dos decretos é resultado de um processo complexo, em que participam vários órgãos de assessoramento. Ele citou o caso do decreto que abriu crédito para construção de um prédio do Tribunal Regional do Trabalho na cidade de Pedro Leopoldo, em Minas. “Como o presidente do Supremo e a presidente da República vão avaliar uma violação de meta em cima de um decreto de 20 pareceres técnicos dizendo que está na meta”, disse.

Depoimentos adiados

Lewandowski acolheu pedido de José Eduardo Cardozo e adiou dois depoimentos para este sábado (27) para que a sessão não se estendesse ao longo da madrugada. O ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, que seria ouvido na noite desta sexta, falará no sábado. No lugar de Barbosa, foi ouvido nesta noite o ex-secretário-executivo do Ministério da Educação Luiz Cláudio Costa.Também no sábado responderá as perguntas dos senadores Ricardo Lodi Ribeiro, professor de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Inicialmente, ele seria ouvido como testemunha, mas foi convertido a informante também a pedido de Cardozo.