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Um dos grandes desafios da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro seria ser tão marcante quando a de abertura, que recebeu muitos elogios, deixando sua marca na história das edições do maior evento esportivo do planeta.  Difíci foi escolher aspectos do evento deste domingo que se destacaram em meio a tantas belezas que foram apresentadas ao lado de momentos marcantes.

Enquanto a chegada dos portugueses ao Brasil e o primeiro voo de Santos Dumont foram alguns dos momentos mais fortes da abertura, a de encerramento novamente contou com aspectos importantes da cultura brasileira que foram transmitidos para todo o planeta.  E o trabalho no último dia de competições foi tão bem feito quanto antes do primeiro.

Para diferenciar, novos símbolos foram homenageados, a exemplo do frevo, do artesanato de renda, de Carmen Miranda e de outras referência do público brasileiro, como Lenine, Roberta Sá, Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Noel Rosa e Martinho da Vila. “A parte que mais gostei foi esta homenagem às rendeiras. Não conhecia o trabalho delas e achei algo bem tocante e especial. Eventos como este são bons para se conhecer melhor a cultural local, aspectos que são pouco divulgados”, comenta o jornalista russo Timur Ganeev, do jornal Izvestia, de Moscou.

 A vasta gama de artistas que mereciam uma lembrança por suas contribuições abriu portas para alguns deles, que receberam seu reconhecimento com o público cantando junto as obras escolhidas.

O orgulho de ser brasileiro e de ter sediado uma Olimpíada bateu forte quando crianças entraram, com roupas iluminadas, cantando o hino brasileiro. Cada uma delas representou uma estrela da bandeira brasileira, que foi mostrada com ajuda de uma projeção no piso.

Para lembrar tudo que o Rio de Janeiro ofereceu, não somente no âmbito esportivo, paisagens da cidade que rodam o mundo há anos foram apresentadas com coreografias de bailarinos que se vestiram de pássaros, mostrando a diversidade da nossa fauna e flora. Cristo Redentor, Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa tiraram o fôlego e a imagem do alto mostrou uma encenação perfeita, que terminou com os Arcos Olímpicos.

A apresentação do Grupo Corpo, durante alusão ao barro, recurso abundante no território nacional, fez Minas Gerais ganhar espaço na cerimônia. Seguindo na cultura de raiz, ‘Asa Branca’, de Luiz Gonzaga, fez o Maracanã cantar a música- tema do Rei do Baião em uma só voz, em um dos momentos mais emocionantes do evento.

A cerimônia de premiação da maratona masculina e a homenagens aos voluntários também tiveram sua dose de emoção estampada nos rostos e sorrisos.

Para não dizer que tudo foram flores, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi vaiado assim que seu nome foi divulgado nas caixas de som.

Mesmo sem todos os aparatos técnicos usados em outras cerimônias, as apresentações brasileiras fizeram juz à marca do seu povo, alegre, contagiante, simples e cativante, tudo isso de uma só vez. O Carnaval, homenageado no final, fechou o evento com um símbolo do Brasil no mundo todo, com cores e muito gingado, agradecendo pela oportunidade e pelo carinho recebido de tantas partes do mundo. Os atletas no entorno da festa não resistiram e foram para o meio da festa, aproveitando uma chance única em suas vidas de se sentir no legítimo carnaval brasileiro.

Em quatro anos

Como é de praxe em todas as cerimônias de encerramento, o evento seguiu-se com o convite para a próxima edição dos Jogos, apresentando o país e a cidade-sede que receberão atletas do mundo todo em quatro anos.

A apresentação da capital japonesa não poderia deixar de remeter à tecnologia como um ícone para fazer a ponte entre Oriente e Ocidente. O convite para os próximos Jogos foi feito em uma cerimônia épica, que conseguiu unir bem a edição recém-terminada e a próxima, que já deixa muita gente com vontade de que aconteça o quanto antes.

Alguns dos momentos mais marcantes da cerimônia de encerramento

Animação dos atletas que, mesmo debaixo de chuva, mostraram ter aproveitado cada momento dos Jogos, do começo ao fim. Alegria foi contagiante mesmo na despedida, deixando claro que a Olimpíada no Rio de Janeiro ficará marcada no coração de todos eles. Alguns fizeram questão de levar as medalhas conquistas para mostrar ao mundo a maior lembrança que levarão da Cidade Maravilhosa.

Bailarinos vestindo roupas de pássaros fizeram coreografias que homenagearam paisagens marcantes do Rio de Janeiro, como os Arcos da Lapa, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, enfatizando a diversidade da fauna e da flora brasileira.

Exposição da força cultural brasileira, mostrando como o país é rico em ritmos, cantores, artistas e compositores que deixaram sua marca, permanecendo vivos até hoje. Além do frevo, do forró e das marchinhas de Carnaval, Pixinguinha, Noel Rosa, Martinho da Vila, Roberta Sá, Carmen Miranda foram lembrados.

O artesanato brasileiro também foi relembrado por meio das rendeiras. Assim que as imagens entraram no telão, muitos aplausos vieram para reconhecer um trabalho manual e secular, enraizado na cultura verde-amarela.

Ponte entre Ocidente e Oriente feita, convidando para os Jogos de 2020, em Tóquio, com imagens apresentando um pouco de tudo aquilo que veremos, dentro e fora das competições, em quatro anos.

Carnaval simbolizando tudo que o Brasil representa para fechar cerimônia com chave de ouro, agradecendo pela presença de pessoas do mundo todo e pela oportunidade que o Brasil teve de receber um evento tão grandioso. (Por Daniel Otoni)