x

O prefeito Léo Costa (foto) decidiu esticar a corda na disputa com o governador Flávio Dino (PCdoB) sobre quem fala verdade acerca da polêmica intervenção da direção estadual do PDT no diretório municipal de Barreirinhas com o objetivo de inviabilizar a candidatura do atual mandatário, filiado ao partido, a fim de fortalecer a do ex-juiz do Trabalho Amílcar Rocha (PCdoB).

Na sexta-feira (05), com base numa liminar da Justiça, Léo realizou a convenção pedetista e garantiu sua candidatura à reeleição, apesar das ameaças do interventor, Renato Dionísio, mas a questão ainda está, juridicamente, indefinida, e para alimentar o debate, o governador trouxe uma revelação nova, a de que em 2012 houve um acordo com o prefeito para que ele se lançasse com o apoio de diversos partidos de “esquerda”, mas que se abstivesse de concorrer a novo mandato em 2016. A declaração do governador foi dada ao jornalista Raimundo Garrone, blogueiro do Jornal Pequeno. Disse Flávio Dino:

  • “Não sei como ficará esta situação na Justiça. Não sei como foram os procedimentos internos do PDT. O partido adotou uma intervenção visando cumprir um acordo de 2012. Foi feito um acordo na minha presença que o prefeito Leo não seria candidato à reeleição e apoiaria outro candidato. Este acordo propiciou a grande união em torno do Leo que propiciou sua vitória na eleição em 2012. Teremos uma disputa interna no PDT e vamos acompanhar. De qualquer forma, estarei no palanque do candidato Amilcar [Rocha]”.

O jornalista Roberto Kenard correu atrás da outra versão e obteve uma nota de esclarecimento do prefeito, publicada em sua página no Facebook, em que ele faz duros ataques ao governador e esclarece que o acordo de 2012 foi retificado em 2014, quando Amílcar disse que trocaria o apoio de sua eleição a prefeito pela de deputado, o que foi acordado. Em sua nota, Léo lamenta nenhum dos correligionários de Flávio Dino presente na reunião de dois anos atrás tê-lo alertado sobre o segundo entendimento. (Aquiles Emir)

Eis a nota de Léo Costa:

  • NOTA DE ESCLARECIMENTO
  • A propósito da entrevista do Governador Flávio Dino ao Blog do jornalista Raimundo Garrone a respeito da eleição municipal de Barreirinhas deste ano, e em respeito a opinião pública do Estado, tenho a esclarecer o que segue:
  • 1) É verdade o que diz o Sr. Governador sobre o acordo político PDT/PCdoB em 2012, quando saí candidato a prefeito pelo PDT, apoiado por ele, por seu partido e por outras forças políticas locais, com a palavra de retribuir em 2016, apoiando o PCdoB;
  • 2) Mas esconderam do Sr. Governador que o seu candidato e o seu partido redesenharam o acordo de 2012, trocando o apoio do PDT em 2016 pelo apoio à candidatura do Sr. Amilcar Rocha a deputado estadual pelo PCdoB em 2014, fato este acontecido ainda no primeiro semestre daquele ano, em reunião realizada na Pousada Buriti, na presença de diversos vereadores e lideranças políticas do município;
  • 3) É lamentável que a assessoria política do Sr. Governador tenha escondido do mesmo a segunda metade da história, qual seja, o Sr. Amilcar Rocha abriu mão do apoio do PDT para prefeito em 2016 em troca do apoio do PDT à sua candidatura para deputado estadual pelo PCdoB em 2014, o que foi feito, pode ser comprovado e toda a cidade é testemunha;
  • 4) Se o Sr. Governador tivesse recebido pelo menos uma vez o Prefeito de Barreirinhas em audiência exclusiva, onde poderia o tema ter sido abordado, teria tido acesso a toda a verdade e não a metade dela, mas nunca fui recebido. Como Governador de todos, e por experiência profissional como magistrado, o melhor juízo só poderia nascer depois de ouvidas as duas partes, não apenas a do seu interesse.
  • 5) Votei no Governador Flávio Dino com gosto e gratuidade, por convicção, depositando nele minha esperança. Fui um dos poucos prefeitos a subir no seu palanque em 2014, retribuindo sua gentileza em 2012;
  • 6) Estranho, portanto, é este surto autoritário inconcebível do partido do Sr. Governador em constranger o PDT a cassar meus direitos políticos em plena vigência do regime democrático no Brasil;
  • 7) Logo eu, um dos 11 membros fundadores do PDT maranhense, seu primeiro Secretário-Geral, escriba da primeira ata do primeiro livro do Partido, 35 anos de militância política efetiva, duas vezes Prefeito de Barreirinhas pelo PDT, minha esposa Sandra Torres vice-prefeita de São Luís, pelo PDT;
  • 8) Estranho é o abandono da liturgia do cargo de Governador, para socorrer um protegido seu, rasgando o estatuto da democracia e a história de um brasileiro maranhense, dedicada ao município, ao estado e ao país;
  • 9) Pobre Maranhão: o último estado a aderir a independência. Será também o derradeiro a aderir à democracia? Como ficará a pregação de uma certa esquerda que tanto bradou contra a ditadura militar no episódio da cassação dos direitos políticos?
  • 10) Lembro as dores de João Goulart, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Neiva Moreira, Francisco Julião e tantos outros trabalhistas, obrigados ao exílio e ao corte de suas carreiras políticas, o sofrimento das famílias e do antigo PTB, como também lembro do calvário do Governador Jackson Lago que estarreceu todo o país;
  • 11) Aos 70 anos, pensando que já havia visto tudo, ainda me surpreendo. Absolutamente, Jackson Lago não faria isso. Lembro de João Francisco, Reginaldo Telles, Maria Lucia Telles, Policarpo Costa Neto, Alaíde Viegas, Terezinha Amorim, Pedro Lago, Raimundo Aroucha, Agenor Gomes, fundadores e idealistas do PDT. Foi pra isso que fundamos este partido?
  • 12) Porém, confio na história, na opinião pública e na justiça. Lutarei por ela.