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A presidente afastada, Dilma Rousseff, caminha para a guilhotina política. Só um milagre poderia mudar seu destino. O placar de ontem na comissão especial do impeachment já era esperado: 14 a 5 contra a petista. Esse resultado é uma confirmação do isolamento político do PT e da presidente, que não conseguiram mudar um voto na comissão especial.

Combinado a uma péssima gestão econômica, esse isolamento político é o principal responsável pela perda do poder. Dilma precisa de apenas 27 senadores para retomar o cargo. Quando o Senado decidiu dar prosseguimento ao pedido de impeachment aprovado pela Câmara, ela obteve 22 votos a seu favor e 55 contra. Hoje, o governo Temer já fala em ter mais de 60 na votação final. Se isso se confirmar, Dilma terá menos do que 22 votos.

Na próxima semana, haverá o chamado juízo de pronúncia. Os 81 senadores decidirão se o relatório da comissão especial tem substância para ser apreciado e levado a um julgamento final, que está previsto para começar em 25 de agosto. Esse juízo de pronúncia será conhecido na próxima terça ou quarta de manhã, no mais tardar. O placar de então será uma prévia da votação final no plenário.

Dilma conversou com senadores e não teve sucesso. Faz dois meses que diz que vai lançar uma Carta ao Povo Brasileiro. Titubeou em relação a apoiar um plebiscito para antecipar a eleição presidencial. Agora, tardiamente mais uma vez, ela diz que vai apoiar a consulta popular, mas o presidente do PT, Rui Falcão, dinamitou a ideia ontem.

Dá pra levar a sério esse tipo de articulação política? Não dá. Uma presidente afastada que não consegue nem o apoio do presidente do seu partido a uma tese vai conseguir votos para retomar o poder? Não vai.

O PT e Dilma não vão assumir publicamente, mas o divórcio já está feito. A crítica de Falcão a uma ideia da presidente na reta final da guerra do impeachment sela essa separação. Dilma luta pela biografia, buscando se distanciar da corrupção que joga no colo do partido, apesar de ter ficado oito anos como ministra de Lula e pouco mais de cinco na Presidência. O PT luta pela sobrevivência diante da Lava Jato e para manter a acesa a chance de Lula ser candidato em 2018, duas tarefas nada fáceis. (Por Kennedy Alencar)