Esta é a principal concxlusão de relatório que a presidente do Ibama, Suely Araújo, enviou ao presidente interino, Michel Temer, na sexta-feira. Nele, há um informe da semana passada (13 de julho) dizendo que o rompimento da barragem do Fundão (Mariana) não está controlado e que há riscos, ainda desconhecidos, para a estrutura da barragem de Candonga.

A possibilidade de uma nova tragédia fez com que Temer se reunisse, nos últimos dias, com os ministros Sarney Filho (Meio Ambiente) e Fernando Coelho Filho (Minas e Energia). O presidente interino empenhado em restabelecer a confiança na economia e aprovar reformas e ajustes no Congresso, não quer que notícias negativas o tirem do rumo ou retardem o processo de mudanças.

O relatório que Temer recebeu relata que as empresas SAMARCO, VALE e BHP são cobradas para que adotem com urgência as medidas necessárias para garantir a segurança das estruturas da barragem da Usina de Candonga. E, adverte que as obras para contenção dos rejeitos da barragem do Fundão (Mariana) sejam definitivamente concluídas antes do início do próximo período de chuvas (verão). A tragédia de Mariana pode não estar no fim e suas consequências podem ser ainda maiores.

— A inação da Samarco (‘Vale/BHP’) representa o pior cenário, que levará a agradação (‘deposição progressiva e generalizada de sedimentos no leito de um curso d’água’) de rejeitos no reservatório com carregamento adicional das estruturas da barragem — registra o relatório assinado por Suely Araújo.

Informações que constam desse relatório revelam a tensão provocada pelo drama silencioso em que se desenrola as novas situações de risco. O Consórcio Candonga relata que o limite de segurança da barragem é de uma cota de deposição de rejeitos de 313,4 metros. E revela que, em abril, a cota de rejeitos era de 312,4 metros. A lama tóxica continua descendo o rio Doce, reduzindo sua correnteza e pressionando a barragem de Candonga.

As conclusões que chegaram às mãos de Temer afirmam:

1. A contenção de um eventual rompimento, e seus efeitos derivados, não foi feita ainda; 2. Os planos de contenção de rejeitos da Samarco estão atrasados e são insuficientes para sua retenção (pela barragem de Candonga) no curto prazo; e, 3. há uma dinâmica contínua de remobilização/transporte/deposição dos rejeitos. (Ilimar Franco – O Globo)