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Brasília – O juiz federal Sergio Moro, responsável pela operação Lava Jato, afirmou nessa quinta-feira (14), em Washington, nos Estados Unidos, que espera terminar sua parte nas investigações até o fim do ano.

O magistrado ressaltou, no entanto, que não pode determinar prazos e que a parte que cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) deve continuar por mais tempo. A Corte julga envolvidos que têm direito a foro privilegiado.

“A investigação ainda está em aberto. É difícil fazer previsões, mas espero acabar a minha parte na Lava Jato até o fim do ano”, disse Moro, para depois acrescentar que pretende “tirar longas férias” após o fim de sua participação e voltar para sua atividade como juiz de carreira.

Mais tarde, Moro afirmou que a possibilidade é relativa, já que novas evidências podem estender as investigações: “Não estou tão seguro de que terei poucos meses de Lava Jato. Um dia disse que poderia terminar até o fim do ano, pois é um caso em aberto e, às vezes, podem chegar novas evidências”.

Moro está na capital americana para um ciclo de palestras no Instituto Brasil, onde participou do debate “Tratando dos casos de corrupção política no Brasil”.

Decepção – Moro criticou “a omissão do governo e do Congresso” na luta contra a corrupção, se disse decepcionado e negou que a Lava Jato seja uma caça às bruxas com motivações políticas. “Até agora, o Poder Executivo e o Congresso não fizeram uma contribuição significativa para os esforços do Brasil na luta contra a corrupção. Por exemplo, eles poderiam ter proposto e aprovado leis melhores para prevenir a corrupção. Também poderiam ajudar os esforços dos agentes de Justiça de outras formas. Sua omissão é muito decepcionante”, afirmou Moro.

Lula – Em manifestação enviada ao STF, o juiz afirmou que não é consistente o pedido da defesa do ex-presidente Lula para anular interceptações telefônicas feitas pela Lava Jato. A declaração é uma resposta a um pedido de informações enviado pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, para que o juiz preste esclarecimento sobre atos que permitiram a divulgação de gravações de Lula com diversos políticos. Os advogados de Lula pedem que o STF anule a validade das interceptações. O objetivo é suspender as investigações sob o comando de Moro e fazer o caso retornar para o STF.

Exclusiva

Vara – 7ª Vara Federal Criminal do Rio vai funcionar exclusivamente para atender processos relativos à Lava Jato, seguindo o mesmo modelo que já acontece em Curitiba com o juiz Sergio Moro.

Mais que palavra

“Para ser justo, o atual governo disse em várias oportunidades que apoia as investigações. Mas os brasileiros deveriam esperar mais que apoio em discursos.”
“É necessário que o Executivo e o Legislativo adotem políticas para prevenir e combater a corrupção. Corrupção sistêmica não é e não pode ser um problema apenas do Judiciário.”
Sergio Moro
Juiz federal

MPF quer doleiro preso

Brasília – O Ministério Público Federal (MPF) entrou com recursos contra decisões do ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinaram a soltura de Carlinhos Cachoeira e Adir Assad, alvos de duas operações da Polícia Federal (PF).

Segundo o MPF, os fundamentos para a manutenção das prisões estão presentes nos dois casos: garantia da ordem pública, gravidade concreta das condutas e risco de reiteração do crime.

Caso Pasadena

Indenização – A Petrobras decidiu entrar na Justiça norte-americana para cobrar indenização, em dinheiro, da empresa Astra Oil, que foi sócia da estatal petrolífera brasileira na refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Ressarcimento – A medida faz parte da política da estatal de buscar ressarcimento pelos prejuízos causados à empresa por atos de corrupção praticados por funcionários, políticos e empresas que mantinham contratos com a petroleira.