Cinco parlamentares já registraram suas candidaturas à presidência da Câmara dos Deputados na Secretaria Geral da Mesa. Os nomes estão divididos entre adversários e aliados do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ). São eles: Fausto Pinato (PP-SP), Marcelo Castro (PMDB-PI), Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO), Fábio Ramalho (PMDB-MG) e Carlos Manato (SD-ES).

Como as candidaturas podem ser registradas até o dia da votação, outros candidatos devem ser inscritos. Entre os outros nove nomes que circulam pela Casa, os mais fortes são Rogério Rosso (PSD-DF), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Fernando Giacobo (PR-PR). Os favoritos, contudo, ainda não se inscreveram.

Candidato pelo PTN, Gaguim é um dos aliados do ex-presidente da Casa. Há dois dias, ele chegou a renunciar à vaga de membro titular da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para não ter que votar contra o peemedebista. Conforme orientação do PTN, o membro do partido na CCJ deverá votar a favor da cassação de Cunha.

Desafeto de Cunha, Fausto Pinato foi o primeiro relator do processo de cassação do ex-presidente da Câmara no Conselho de Ética. No colegiado, ele recomendou a continuidade do processo contra o peemedebista. Mas a função não durou muito, já que uma manobra de Cunha fez com que Pinato fosse destituído da relatoria no colegiado.

Entre os adversários de Cunha na disputa também está o ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff Marcelo Castro. Ramalho é o segundo parlamentar do PMDB, partido do presidente em exercício Michel Temer, a formalizar candidatura.

Corregedor da Câmara, Carlos Manato foi quem recebeu, em outubro do ano passado, a representação de partidos da Casa contra Cunha, por ter mentido à CPI da Petrobras.

Outro aliado de Cunha, Beto Mansur (PRB-SP), reforçou nessa sexta-feira (8) que também será candidato. “Conversei com a família, e aceitaram que eu seja. Vou colocar meu nome”, disse. Ele afirmou que Cunha foi um bom presidente da Câmara, apesar de problemas pessoais que precisam ser resolvidos na Justiça.

Opção. Para boa parte da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Castro é o nome que mais agrada para a sucessão de Cunha. Apesar de ser do PMDB, Castro se licenciou da pasta e voltou à Câmara para votar contra o impeachment, além de ser desafeto de Cunha, o que também é visto com bons olhos pelos petistas.

Castro enfrenta um problema na bancada: se mantiver a candidatura, vai ter que disputar apoio de peemedebistas com pelo menos outros três candidatos, o deputado Sérgio Souza (PR), Osmar Serraglio (PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e Fábio Ramalho – único que já oficializou a candidatura.

Apesar da simpatia ao nome do ex-ministro de Dilma, as negociações com Rodrigo Maia estão mais avançadas. Há semanas ele vem mantendo conversas com quadros do PT em busca de apoio para o mandato-tampão. Além do apoio de parte da base de Temer, principalmente DEM, PSDB e PPS, e de parte do Centrão, ele poderia ter os votos da nova oposição – PT, PCdoB e PDT.

Resistência

Nomes. No PT há quem defenda outros nomes, como o de Fernando Giacobo (PR-PR), Júlio Delgado (PSB-MG)e Heráclito Fortes (PSB-PI). Mas todos, sem exceção, enfrentam alguma resistência.