A atual situação econômica do Brasil é tecnicamente de estagnação. A crise econômica não é mais apenas uma hipótese e consta como fato em toda pauta de reunião de empresários do País e também fora dele. Acreditar em mais uma história sobre “marolas” é negar a realidade econômica do país e abrir a porta para o fracasso.

É claro que, como em toda situação de incerteza, principalmente em ano eleitoral, certa dose de pânico acaba se instalando. Esse também não é o caminho para a solução do problema, pois em momentos de histeria decisões precipitadas podem também acabar destruindo o seu negócio. Um exemplo de que o País chegou ao atoleiro vem de São Paulo, dos números sobre venda de automóveis.

As vendas de carros, caminhões e ônibus novos tiveram o pior 1º semestre em 10 anos, segundo dados da federação dos concessionários (Fenabrave). Foram vendidos 983.599 veículos entre janeiro e junho últimos, contra 1.318.984 no mesmo período de 2015, uma queda de 25%.

O resultado foi o pior desde 2006, quando foram emplacadas 861.000 unidades no 1º semestre. No mesmo período de 2007, o volume já passou de 1 milhão (1.082.257 unidades).”Já estamos notando uma melhora nos índices de confiança, tanto por parte de consumidores como de investidores, mas não imaginamos grandes mudanças nos dados do setor até que o cenário político se defina”, disse Alarico Assumpção Jr, presidente da Fenabrave.

A entidade, no entanto, não alterou as projeções para 2016 de 15% de queda nas vendas de veículos em geral. “Essas projeções já consideram uma melhora no quadro geral da economia e do setor, pois, se os dados se mantivessem como no início do ano, os resultados seriam piores”, disse. Diferentemente, a associação das montadoras (Anfavea) já havia revisto, para baixo, as suas projeções de vendas e de produção para 2016 antes mesmo do fechamento do semestre.

Segundo as novas previsões, as vendas devem cair 19% no ano, para pouco mais de dois milhões. Enquanto era o quarto maior mercado do mundo, nos primeiros anos da década, o Brasil chegou a vender quase o dobro disso. E a produção de carros, caminhões e ônibus deverá recuar 5,5%, para 2,29 milhões de unidades.