Abalado por um impeachment presidencial e a pior recessão desde a Grande Depressão, o Brasil está tendo um raro consolo no momento em que o Rio de Janeiro se prepara para sediar a Olimpíada: os números declinantes de infecções de zika.

Desde o início do surto da doença, que fez estragos no Nordeste no começo deste ano, muitos médicos e visitantes em potencial expressaram o temor de que os Jogos possam ser um catalisador da disseminação internacional do vírus.

Alguns atletas, entre eles o golfista número um do mundo, Jason Day, avisaram que irão ficar em casa para evitar a infecção por causa dos temores em relação aos problemas de saúde causados pela zika, principalmente a microcefalia, uma má-formação cerebral.

Recentemente, porém, as temperaturas mais frias do que o normal no inverno, somada aos esforços para eliminar os focos de procriação do mosquito que transmite a zika, reduziram as infecções em cerca de 90% em comparação com o pico de fevereiro, quando mais de 16 mil casos foram relatados em uma semana.

No Rio, um recuo nos riscos da zika está tranquilizando as autoridades pouco mais de um mês antes do início da Olimpíada, no dia 5 de agosto.

“O Rio não é o pesadelo de zika que as pessoas temiam”, disse Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas e membro do comitê de emergência para o Zika da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O clima quente e úmido, que propicia a reprodução do mosquito Aedes aegypti, ajudou a zika a se espalhar rapidamente do Brasil para mais de 60 países e territórios.

Um verão quente no Rio no começo deste ano levou a um salto de outras doenças transmitidas por mosquito, como dengue e chikungunya, mas a epidemia local de Zika não foi tão grave ou disseminada quanto no Nordeste, o que intrigou os cientistas.

Agora que o Rio tem tido temperaturas mais baixas, chegando a 8°C, os índices de infecção por zika, dengue e chikungunya estão recuando.

De acordo com o governo do Estado, as infecções de Zika na capital fluminense caíram de mais de 3.500 por semana em fevereiro para menos de 200 recentemente. Os casos de dengue foram de 4.500 por semana para menos de 500, e os de chikungunya diminuíram de quase 700 para menos de 50.

As estatísticas, porém, só pintam um quadro parcial de infecções de Zika, porque a doença só apresenta sintomas leves na maioria das pessoas e continua sendo difícil de diagnosticar.