O ditador Nicolás Maduro advertiu nesta quarta-feira (9) ao Grupo de Lima que tomará medidas enérgicas se, em 48 horas, não for retificada sua posição contra a Venezuela, na véspera em que assumirá um novo mandato de seis anos, não reconhecido pelo bloco.
“Hoje foi entregue a todos os governos do cartel de Lima uma nota de protesto, onde exigimos uma retificação de suas posições sobre a Venezuela em 48 horas ou o governo da Venezuela tomará as mais urgentes medidas diplomáticas”, sentenciou Maduro em coletiva de imprensa.
O ditador considerou “inaceitável” a declaração emitida na sexta-feira pelo Grupo de Lima, com o apoio dos Estados Unidos, texto que pede para que ele não assuma a presidência e transfera o poder para maioria parlamentar da oposição, enquanto que “as eleições democráticas são realizadas”.
Maduro rejeitou em particular o ponto em que o bloco, que ele acusa de seguir ordens de Washington, tomou partido da Guiana em uma disputa territorial com a Venezuela.
No comunicado, assinado por 13 dos seus 14 membros – México foi o único a se abster-, o Grupo Lima incluiu um ponto que rejeita “qualquer provocação ou destacamento militar que ameace a paz e a região” e pediu Maduro que desista de “ações que violam os direitos soberanos de seus vizinhos”.
Entenda
O Grupo de Lima, que reúne 15 países, incluindo Brasil, de não reconhece o terceiro mandato do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e é em defesa de um novo processo eleitoral. A nota de protesto do grupo foi entregue a representantes do grupo em Caracas, capital da Venezuela.
Maduro foi reeleito em maio de 2018 para mais um mandato de seis anos. De acordo com a imprensa oficial, ele obteve 67,7% dos votos, enquanto o segundo colocado Henri Falcón conseguiu 21,1%. Porém, oposição e vários líderes internacionais questionam os resultados do processo eleitoral.
Sem confirmação oficial, as informações divulgadas à época é que a abstenção nas eleições chegou a 70%. Maduro assume o terceiro mandato nesta quinta-feira (10).
No último dia 4, na capital peruana, o Grupo de Lima divulgou declaração conjuntaem que afirma não haver legitimidade no processo de reeleição de Maduro. No documento, o grupo reitera que a reeleição “carece de legitimidade” porque não contou com a “participação de todos os atores políticos venezuelanos, nem com a presença de observadores internacionais independentes”.
Além do Brasil, assinaram o documento Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lucia. O México, que também faz parte do Grupo de Lima, se recusou a assinar o documento. (AFP)