Na esteira de uma série de críticas à Petrobras, que mesmo com constantes trocas na presidência providenciadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) não tem diminuído os preços dos combustíveis, o chefe do Executivo reiterou a intenção de privatizar e “fatiar” a estatal.

Ele também criticou, indiretamente, a política de preço de paridade internacional (PPI), que teve início na gestão de Michel Temer (2016-2018).

“A privatização da Petrobras leva no mínimo quatro anos. Tenho uma ideia de fatiar a Petrobras. Realmente não está dando certo atualmente”, declarou, em entrevista ao apresentador Ratinho, na Massa FM, divulgada ao vivo nesta terça-feira (31).

Na mesma entrevista, assim como tem feito nas lives transmitidas semanalmente, o presidente também reclamou dos lucros da empresa pública e cobrou o “papel social” da mesma.

“Apesar de estar na Constituição seu caráter social, ela não aplica. Tem um lucro fenomenal, não se compara porcentualmente com outras petrolíferas no mundo todo”, afirmou Bolsonaro, eleito em 2018 com discurso liberal reforçado pela presença do ministro da Economia Paulo Guedes.

A ideia de privatizar a Petrobras também está na mesa de Guedes, embora ele jogue esse plano para um eventual segundo mandato, segundo sinalizou durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, na quinta-feira (26). “Vamos privatizar a Petrobras, fazer vários acordos comerciais. Vamos fazer bem mais do que temos feito até agora”, disse o ministro.

Além dele, o novo ministro de Minas Energia, Adolfo Sachsida, também pretende vender a petroleira. Sachsida substituiu o almirante Bento Albuquerque devido à falta de solução para os constantes aumentos nos preços dos combustíveis.

Embora não tenha o respaldo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o governo Bolsonaro tem no presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), um aliado no projeto de privatizar a Petrobras.

Na última sexta-feira (27), Lira defendeu como alternativas para os altos preços cobrados nos postos de gasolina a privatização da Petrobras ou a adoção de “medidas mais duras” na estatal.

“Nessa esteira, ou a gente privatiza essa empresa, ou toma medidas mais duras. Ela não está cuidando do nome da empresa, porque todo desgaste da Petrobras não vai para a Petrobras, todo o desgaste vai para o governo federal”, afirmou o presidente da Câmara em entrevista à Rádio Bandeirantes. (Por Luana Melody Brasil)

Comments are closed.