Moradores na Região Metropolitana de São Luís começam a se preocupar com o crescimento do número de caramujos africanos em suas casas.

Segundo especialistas, esses caracóis são perigosos e foram trazidos da África para o Brasil ilegalmente no início da década de 1980 para serem servidos como escargot. Mas não tiveram boa aceitação e foram descartados.

No entanto, a espécie se adaptou bem ao clima brasileiro e começou a se reproduzir rapidamente, principalmente pela fartura de alimentos e falta de predadores naturais.

Segundo dados da União Internacional para Conservação da Natureza, espécies invasoras representam a segunda maior ameaça à biodiversidade do planeta. Já a Fundação Oswaldo Cruz, diz que os caramujos africanos estão presentes em quase todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Ainda não houve registros apenas no Rio Grande do Sul.

“Ele é muito urbano, então ele fica em praças, jardins, nas hortas … Essa que é a questão, a proximidade que ele fica, geralmente em grandes populações”, afirma a especialista em moluscos do Instituto Oswaldo Cruz, Silvana Thiengo.

Durante o período chuvoso, os caramujos invadem as residências mais próximas da praia e os muros ficam infestados. A grande preocupação dos moradores é com relação ao risco das doenças que esses bichos podem transmitir.

Perigo nos bairros

Os caramujos já viraram uma praga em alguns bairros de São Luís, como a Ponta d’Areia, Olho d’Água, no Quintas do Calhau e no Vinhais.

“Eu sou diabética e morro de medo. Meus netinhos quando estão por aqui (perto dos caramujos), eu coloco para dentro. Ninguém pega não”, disse. Na casa da dona de casa Iraneide da Silva, é só fechar o tempo que eles aparecem aos montes.

“Eles sobem aos montes, ficam nas plantas… Eu tenho muita preocupação porque tenho criança aqui. Eu nem gosto que eles fiquem pegando no portão, por causa dos caramujos. Eu tenho medo porque dizem que é contagioso, que transmitem doença. Eu me preocupo”, contou.

No município de Raposa também tem caramujo demais subindo pelas paredes. A casa da consultora de seguros, Inês Sampaio, vive cheia dos caracóis nos muros e nas plantas. Ela morre de medo de ser contaminada.

“Tem dias que a gente amanhece com os muros todos cheios… As plantações, as acerolas, a gente não come mais porque é muito caramujo. E como traz doença, para evitar, a gente já tenta não comer nada e é o tempo todo matando caramujo e quando chove é uma coisa desesperadora”, reclama Inês.

Cientistas dizem que esses moluscos podem causar desde infecções até doenças graves. Eles também são os maiores transmissores da meningite eosinofílica, que pode até matar.

“Como a gente vê uma grande quantidade, em vários locais da cidade, o que a gente aconselha é que em hipótese nenhuma se deve pegar diretamente, somente através de um saco, de uma luva. Aí depois se utilizar ou sal, ou cal, ou incineração. Queimar para eliminar esse foco. (…) É no muco que está o parasita. Ele que, ao penetrar, causa estrago no corpo humano”, explica o biólogo Kleyton Coelho.

Dados da Fiocruz revelam que, desde 2006, já houve 40 casos de meningite eosinófilica no país, com pelo menos uma morte, em Pernambuco, em 2010. Outro risco é que, quando mortos, os cascos acumulam água parada e podem virar criadouros do Aedes Aegypti – que transmite dengue, chikungunya e zika. (Fonte: G1MA)

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