A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista ao jornal El País nesta quarta-feira (10), que o sonho de consumo do governo Jair Bolsonaro é que haja uma ruptura institucional no Brasil. Dilma criticou a presença de militares nos escalões do governo federal e afirmou: “Há um quadro de intervenção militar dentro do governo”.

Após a afirmação, Dilma afirmou, ainda, que não vê o quadro de intervenção na sociedade. “As instituições, congresso, o judiciário e o legislativo funcionam. Tem problemas no Brasil hoje de uma democracia mitigada, mas você não tem uma intervenção militar [na sociedade]”, afirmou a ex-presidente, que destacou que as forças armadas não devem fazer parte de um governo por serem elementos que compõem o Estado. “Um governo é um governo, o estado brasileiro é algo que perpassa diferentes governos”, pontuou.

Dilma criticou a presença de Jair Bolsonaro em atos que pedem o fechamento do Congresso e até mesmo a intervenção militar, afirmando que o autoritarismo é um “sonho” do presidente e que o governo atual visa um autoritarismo “com um quadro marcadamente fascista, marcadamente miliciano” que seria “mais grave” do que a ditadura militar.

“Quando no Brasil se discutia abertamente a volta do AI-5? Nunca. Quando se discutia intervenção militar? Nunca. Isso, hoje, voltou à imprensa”, afirmou Dilma, garantindo que os recuos do presidente em defesa da democracia após participar de atos antidemocráticos “alargam” a tolerância do público para certos assuntos.