Destes casos, 167 foram registrados nas passagens que ligam regiões venezuelanas aos Estados colombianos de Norte Santander e Arauca, que receberam 157 e 10 desertores, respectivamente. Em Pacaraima, no Brasil, buscaram proteção 7 sargentos das Forças Armadas do país vizinho.
Os casos mais recentes foram registrados nesta segunda-feira, 25, quando quatro sargentos da GNB desertaram e fugiram da Venezuela para o Brasil. Eles vieram por trilhas na vegetação rasteira, conhecida na região como “lavrado”, e foram encontrados por uma patrulha do Exército que fazia inspeções de rotina na fronteira. Um deles apresentava sinais de desidratação, com enrijecimento muscular.
“Vamos a Boa Vista e queremos o apoio do presidente interino Juan Guaidó para chegar a Cúcuta e nos reunir com os companheiros que desertaram (na Colômbia)”, disse o sargento José Alexander Sanguino Escalante.
“Queremos nos oferecer para lutar pela liberdade do povo.” Questionado se estaria disposto a agir militarmente contra o regime de Nicolás Maduro, o desertor respondeu que sim.
Com isso, chega a sete o número de desertores na fronteira brasileira desde que a oposição tentou entrar com ajuda humanitária na Venezuela, todos com a patente de sargento. No domingo, três membros da GNB também entraram no país depois de deixarem seus cargos descontentes com a gestão da crise por Caracas e com a situação geral do país.
“Nos quartéis militares, não há comida. Não tem colchões. Nós, sargentos da Guarda Nacional (Bolivariana, GNB), estamos dormindo no chão”, contou o sargento Carlos Eduardo Zapata, um dos três primeiros a chegar ao Brasil.
Ao Estado, a deputada opositora Yuretzi Idrogo disse que a decisão de ir a Cúcuta é uma vontade pessoal dos desertores e não partiu da oposição. Apesar disso, ela reconhece que está em contato com soldados do outro lado da fronteira que querem desertar e que pretende ajudá-los a chegar até a codade colombiana.
Oficialmente, a fronteira venezuelana com o Brasil continua fechada desde a quinta-feira 21 por decreto do presidente Nicolás Maduro. A passagem com a Colômbia foi totalmente bloqueada na noite da sexta-feira 22, após a realização do Venezuela Live Aid em Cúcuta, cujo objetivo é arrecadar US$ 100 milhões em 60 dias para fornecer ajuda aos venezuelanos.
No fim de semana, a divisa entre os países, tradicionalmente tranquila, viveu horas estressantes depois de manifestantes venezuelanos tanto em território brasileiro quanto colombiano jogarem pedras e coquetéis molotov contra integrantes da GNB.
O presidente Jair Bolsonaro se reuniu pela manhã em Brasília com seu ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e membros do alto-comando militar. Essa reunião acontece paralelamente ao Grupo Lima em Bogotá, do qual participam os Estados Unidos e o líder da oposição Juan Guaidó, para definir os passos a serem seguidos na crise venezuelana.
Turistas liberados
Segundo fontes do Exército, 25 turistas brasileiros que faziam turismo no Monte Roraima e não conseguiam passagem pela fronteira desde que ela foi fechada no dia 21 retornaram ao território brasileiro nesta segunda.
Eles passaram pela aduana com os veículos que faziam o trajeto vindo do monte e agora estão a caminho da capital de Roraima, Boa Vista. Ainda de acordo, com essas fontes, a tendência é de menos tensão na fronteira, com pelo menos a passagem de estrangeiros sendo liberada.
Um cidadão uruguaio com problemas de saúde também teve a passagem autorizada pelas autoridades venezuelanas. (Estadão/com AFP)
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