Para fechar o ano de 2018, o UFC traz um dos eventos mais aguardados da história da organização. Na madrugada deste sábado (29) para domingo (30), a partir da 0h (da Bahia), no UFC 232, a baiana Amanda Nunes e a paranaense Cris Cyborg estarão frente a frente no octógono do The Forum, em Los Angeles, na Califórnia, para protagonizar uma das maiores lutas de todos os tempos e marcar o auge do MMA feminino na organização. O canal Combate transmite o evento a partir das 20h30 (card preliminar).
Nesta noite, estará em jogo o cinturão do peso pena, garantido por Cris em julho de 2017. A paranaense, que não sabe o que é uma derrota no MMA profissional há 13 anos, já fez três defesas de título e sua última vitória aconteceu em março deste ano, sobre a russa Yana Kunitskaya.
Apesar da longa invencibilidade, ela afirma que não pensa nos resultados anteriores. O foco é buscar uma evolução no esporte a cada desafio que enfrenta. “A invencibilidade é uma consequência e eu não penso nisso quando vou lutar. Tento fazer o meu melhor e vou sempre em busca da vitória”, disse.
Do outro lado, Amanda mantém o seu cinturão da categoria peso galo e tenta fazer história. Caso conquiste a vitória sobre a compatriota, a baiana de Pojuca, a 70km de Salvador, se tornará a primeira mulher com dois cinturões dentro do UFC. Em seu cartel, ela conta com 16 vitórias e apenas quatro derrotas. A lutadora, que vive atualmente nos EUA, já defendeu seu cinturão três vezes com sucesso, a última delas em maio, quando nocauteou a americana Raquel Pennington.
“Estou preparada para encarar a Cyborg desde o dia em que pedi a luta e ansiosa na dose certa, nem muito ansiosa, nem muito tranquila. Bem focada no que tenho de fazer”, garante Amanda, ciente de que precisa encontrar o ponto vulnerável de sua adversária. “Todo atleta tem um ponto fraco. A gente trabalhou bastante para estar atenta para, na luta, conseguir ser rápida e aproveitar qualquer situação”, completa.
As duas atletas têm como forte o jogo em pé. Das 16 vitórias de Amanda, 11 foram por nocaute. Os números de Cris são mais impressionante ainda: dos 20 triunfos, 17 foram por nocaute, sendo os outros três por decisão. Já a baiana conta com três vitória por finalização na carreira e tem sua origem com lutadora no jiu-jitsu, o que pode ser o caminho para um triunfo contra Cris.
A luta entre as duas campeãs é considerada umas das mais importantes para o MMA mundial, por se tratar dos melhores nomes da categoria feminina na atualidade. As brasileiras evidenciam a importância das mulheres dentro da organização e enaltecem o país, que carece de títulos masculinos.
Depois de grandes lutadores como Anderson Silva, José Aldo, Minotauro e Vitor Belfort levarem o nome do Brasil pelo mundo, chegou a vez das únicas campeãs do país representarem uma valorização que buscam há anos. Para os fãs, o encontro entre Cris e Amanda é tão aguardado quanto o retorno de Jon Jones, que encara Alexander Gustafsson na luta principal do UFC 232.
Outra decisão
Cercado de polêmicas, o evento desta noite também marca o retorno de Jon Jones ao octógono. A edição registra um novo caso de doping envolvendo o astro que comanda a luta principal, contra o sueco Alexander Gustafsson, pelo cinturão vago dos meio pesados, e uma repentina transferência do evento de Las Vegas para Los Angeles.
Desta vez, o americano foi o motivo da mudança no evento após um exame antidoping encontrar resíduo da substância proibida turinabol em seu corpo. Assim, a Comissão Atlética de Nevada vetou a participação do ex-campeão apenas em Nevada, mesmo com a liberação da Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada), o que causou a transferência do evento para Los Angeles com apenas menos de uma semana para sua realização.
A Usada, responsável pelo controle antidopagem no UFC, assegurou que a quantidade de turinabol encontrada é residual da ingestão pela qual Jon Jones foi punido por 15 meses em 2017 e insignificante para seu rendimento. Sendo assim, a decisão do Ultimate foi manter o seu show principal neste sábado (29).
Considerado um dos grandes nomes no UFC, Jon Jones acumula problemas fora dos octógonos. Sua punição em julho de 2017, após ser flagrado no antidoping, fez com que o lutador perdesse o título meio pesado. Dois anos antes, ele também chegou a ficar sem o cinturão.
Apesar das novas confusões, o americano garante que vai voltar a trilhar a trajetória que resultou em vitórias dentro da organização. “Depois que vencer Gustafsson, voltarei ao caminho em que sempre estive: o de ser um dos melhores de todos os tempos”, afirma.
Os dois já se enfrentaram em setembro de 2013, quando Jones era campeão. O sueco foi o lutador que mais colocou o americano sob risco de uma derrota no octógono, já que seu único revés na carreira foi por desqualificação. Ao final dos cinco rounds de um grande combate, Jones venceu por decisão unânime (48-47, 48-47, 49-46).