O empresário Fernando Cavendish, ex-dono da Delta Construções, afirmou em interrogatório nessa segunda-feira (4) que o anel comprado como presente de aniversário para a ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo foi abatido na propina paga pela reforma do Maracanã. Ele afirmou ao juiz Marcelo Bretas que foi constrangido pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) a pagar 220 mil pela joia de diamantes quando estava em Mônaco, numa viagem de casais.

“Ele entrou na joalheria e disse que estava dando um presente para a Adriana. Ele disse: ‘Gostaria que você pagasse’. Isso aconteceu de forma não natural. Era um valor fora da minha realidade. Nesse momento, deixei claro que aquele presente teria uma reciprocidade”, relatou o empresário. Meses depois, ele pediu que Cabral intercedesse junto à Odebrecht para que a Delta fizesse parte do consórcio que faria a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo. “O Maracanã foi a forma pela qual tive a contrapartida daquele presente. Fiz o abatimento desse presente nas parcelas pagas de propina. Não foi um presente, foi um negócio”, disse.

Também em depoimento nessa segunda-feira (4), o empreiteiro Ricardo Pernambuco, dono da Carioca Engenharia, deu detalhes de pagamento de propina a Cabral e seus aliados em troca da participação da empresa em obras como PAC das Favelas, Arco Metropolitano e Linha 4 do metrô.

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