AFP / Pablo VERA

Os chilenos vão às urnas neste domingo para encolher entre as propostas do “Tempos Melhores”, do candidato de direita e ex-presidente Sebastián Piñera, e da “Força da Maioria”, que reivindica a obra da presidente socialista Michelle Bachelet e tem como candidato Alejandro Guillier.

As sessões eleitorais abriram às 08h00 da manhã para os 14,3 milhões de pessoas habilitadas a votar. Os quase 40.000 chilenos inscritos no exterior já começaram a votar no sábado.

Cinco dos oito candidatos presidenciais em disputa já havia depositado seu voto três horas depois da abertura das urnas.

A mais madrugadora foi a democrata-cristã Carolina Goic na região de Magallanes, enquanto que, em Santiago, Bachelet recebeu o apoio de várias mulheres que queriam abraçá-la e tirar uma foto com ela.

“É importante que as pessoas venham votar, que exerçam seu direito cidadão e que votem porque sintam que isso representa o que elas querem para o Chile”, afirmou a presidente, que evitou fazer prognósticos sobre a participação dos eleitores – um dos fantasma dos canddidatos -, mas advertiu que espera por um segundo turno, previsto para 17 de dezembro.

Piñera, 67 anos, que também votou em Santiago, teve que evitar alguns protestos de jovens manifestantes. “Os chilenos vão tomar uma decisão que vai afetar nossas vidas por muitas décadas”, declarou o candidato da direita depois de votar.

Por sua parte, o senador Guillier, 64 anos, segundo nas pesquisas, pediu aos chilenos que não deixem de votar, depois de ter emitido seu voto na região de Antofagasta. “O exercício do voto é a essência do sistema democrático”, enfatizou.

A fragmentação de partidos torna quase impossível que haja um vencedor no primeiro turno porque é preciso obter 50%+1 dos votos, apesar da vantagem de Piñera nas pesquisas.

O ministério do Interior informou que a operação de segurança mobilizada para a ocasião funcionava sem maiores inconvenientes, apesar de nas primeiras horas do dia ocorrerem incidentes menores em uma região do sul do país.

Depois de quatro anos de um governo socialista, o Chile pode sofrer uma guinada para a direita.

Na sétima eleição realizada após o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), todos as pesquisas e projeções situam Piñera em um cômodo primeiro lugar, bem distante do candidato governista.

No entanto, a vantagem de Piñera não permitirá que vença no primeiro turno e será preciso esperar até o segundo turno em 17 de dezembro para decidir seu futuro.

No total, oito candidatos, seis deles de centro-esquerda, disputam a sucessão de Bachelet. Uma alta abstenção favoreceria Piñera, com um eleitorado motivado e cativo, segundo os analistas.

Com voto não obrigatório desde 2012 e uma abstenção em ascensão, os analistas apostam em uma participação de apenas 40%. Como no Brasil, Argentina e Peru, o Chile parece estar preparado para uma guinada para a direita, pela segunda vez desde a volta da democracia em 1990.

De 2010 a 2014, Piñera rompeu a hegemonia mantida pela centro-esquerda que levou o país a um período de prosperidade sem precedentes, apesar de não ter conseguido desmantelar o legado de Pinochet.

Depois de um crescimento que se situa em 1,8% nos quatro anos de Bachelet, o mercado dá por certo uma volta da direita ao Palácio de La Moneda, segundo os analistas.

No entanto, nem todos acham que, em caso de vitória, Piñera vá cumprir sua promessa de revisar a bateria de reformas promovidas por Bachelet, em particular a tributária, a trabalhista e a lei do aborto terapêutico, que, junto com a gratuidade da educação superior, são algumas das mais emblemáticas do último mandato da socialista.

Além disso, os chilenos também estão convocados a renovar grande parte do Congresso com a introdução de uma nova lei eleitoral que põe fim ao sistema binominal herdado do regime Pinochet, substituído por um proporcional que visa a melhorar a representatividade.

Os cálculos eleitorais indicam que a direita aumentará sua sua representação no Congresso em detrimento da centro-esquerda, mas um eventual governo de Piñera não terá maioria em nenhuma das duas câmaras.