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Caracas (Venezuela) e São Paulo – Policiais e estudantes venezuelanos entraram em confronto nessa segunda-feira (24) durante um protesto em uma universidade em Caracas para exigir a realização de um referendo para destituir o presidente Nicolás Maduro.

Segundo a mídia local, ao menos dois estudantes ficaram feridos após a polícia usar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para impedir que a manifestação saísse do campus da Universidade Central da Venezuela. Protestos estudantis também foram registrados em outras partes do país.

Líderes opositores convocaram manifestações para esta quarta-feira (26) contra a decisão da Justiça venezuelana de suspender o processo de coleta de assinaturas para a realização de uma consulta pública sobre a destituição de Maduro. O ex-candidato presidencial Henrique Capriles não descartou que a “Tomada da Venezuela” amanhã inclua uma marcha ao Palácio Presidencial de Miraflores, o que pode gerar violência.

No domingo, a Assembleia Nacional, controlada por adversários do chavismo, aprovou uma resolução para denunciar a suspensão do “referendo revogatório”, mecanismo previsto na Constituição para consultar a população sobre a destituição de governantes.

A oposição considera que a decisão da Justiça foi um “golpe de Estado”, pois teria rompido mecanismos constitucionais em prol da manutenção no poder de Maduro, que enfrenta baixos níveis de popularidade e uma grave crise econômica.

Os opositores querem que a consulta pública seja realizada antes de 10 de janeiro, para que seja convocada uma nova eleição caso Maduro seja derrotado. Se for realizada depois dessa data, assumiria o lugar do líder chavista o vice-presidente da Venezuela.

A Justiça suspendeu temporariamente o processo para a realização do referendo alegando ter encontrado fraudes na primeira etapa de coleta de assinaturas de eleitores favoráveis à consulta.

A suspensão do referendo deixou ainda mais tenso o clima político em um país que sofre com uma severa escassez de alimentos e remédios, assim como uma inflação prevista em 75% para este ano.

Nessa segunda-feira (24), a ONG Human Rights Watch lançou um relatório nessa segunda-feira (24) em que expõe o resultado de uma investigação sobre a crise humanitária na Venezuela, marcada pela falta generalizada de remédios, insumos médicos e alimentos.

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