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Um casal é considerado infértil se, após um ano de tentativas sem o uso de nenhum método anticoncepcional, a mulher não consegue engravidar – situação vivida por cerca de 15% deles no mundo. Desde a década de 1960, um dos recursos usados para verificar o sucesso durante as tentativas era o teste de gravidez feito pelas mulheres. Porém, mais de 40% dos fracassos se deve à infertilidade masculina, problema que agora também pode ser detectado a partir de um teste feito em casa.

Com uma amostra de sêmen coletada após o homem ficar em abstinência sexual por dois a cinco dias, ele pode saber se sua concentração de espermatozoides está dentro do considerado “aceitável” pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – cerca de 15 milhões por mL.

Doenças como caxumba, diabetes, traumas e infecções poderão influenciar na fertilidade masculina, assim como o uso de drogas e medicamentos e a proximidade com toxinas também podem alterar a quantidade.

Lançado oficialmente no final de agosto, o kit que atesta a concentração dos gametas masculinos custa R$ 54,90 e pode ser comprado online e em algumas farmácias do país. A novidade é uma tecnologia com produção nacional e semelhante ao teste de gravidez, cujo resultado é visual e com uma precisão que chega a ser de 90% a 99%, segundo Adriana Juliani, assessora técnica da Linha Confirme, empresa que comercializa o produto.

Outro avanço importante, destacado por Juliani é em relação à privacidade do homem, uma vez que a análise do sêmen em uma clínica especializada, além de mais cara (até R$ 180), é, para alguns pacientes, “constrangedora”. “A partir do momento que o casal resolve ter um filho, normalmente só a mulher faz todos os exame pré-gestacionais, e no homem não existe essa preocupação. O que a gente buscou é praticidade, justamente por causa desse tabu de o homem relacionar fertilidade com virilidade. São coisas bem distintas”, conclui.

Por indicação da médica de sua mulher, o autor do blog “Para Ler Quando eu Crescer”, Rodrigo Morelli, 40, passou pela experiência de realizar o exame em uma clínica. “É deprimente. Se o homem tiver a oportunidade de fazer em casa, é muito mais tranquilo”, contou o hoje pai de uma menina de 5 anos e um menino de 3.

Tamanha facilidade, porém, não agrada a todos. Para o coordenador do departamento de andrologia e sexualidade humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Eduardo Bertero, querer saber se é fértil ou não, antes de tentar engravidar, é uma “ansiedade desnecessária”. “A fertilidade não é uma ciência exata. Tem homens muito férteis e menos férteis e, dependendo da parceira, o homem, mesmo com problemas de fertilidade, pode engravidá-la. Não é uma reposta ‘sim ou não’ como no teste de gravidez. Não é diagnóstico”, opina.

Pesquisa

Sêmen – Publicação no periódico “Human Reproduction” avaliou o esperma de 26 mil homens na França, entre 1989 e 2005, e concluiu que a qualidade e a quantidade de espermatozoides vem diminuindo.

Outros tipos de autotestes já disponíveis no mercado:

Fertilidade feminina: Detecta o aumento do hormônio luteinizante, sinalizando o período de ovulação feminino e determinando, assim, os dias de maior possibilidade para a mulher engravidar.
Preço: R$ 117

Menopausa: realiza a detecção qualitativa do hormônio folículo estimulante (FSH) em amostras de urina humana. O FSH tem um papel crucial no processo reprodutivo.
Preço: R$ 19

Álcool: aparelho portátil para uso pessoal que revela níveis de concentração de álcool no sangue analisando o ar exalado.
Preço: R$ 39

Multidrogas (maconha, morfina, ecstasy, antidepressivos, anfetaminas etc.): <MC>teste para detecção rápida, simultânea e qualitativa de dez tipos de drogas mais consumidas, com base na análise da urina.
Preço: R$ 60 (Por Litza Matos/Ciência e Saúde)