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Após completar cem dias à frente do governo e chegar à reta final do processo de impeachment, o presidente interino, Michel Temer, planeja ações para combater o ceticismo de empresários e aliados insatisfeitos com a maneira como tem conduzido o ajuste nas contas públicas, considerado essencial para a recuperação da economia do país.

Dois empresários que estiveram recentemente com Temer disseram à Folha que o governo recuou diante de todas as corporações que até aqui reagiram contra medidas propostas pelo governo.

Eles acham que, se Temer continuar assim, poderá chegar ao fim de seu mandato em situação semelhante à do ex-presidente José Sarney (1985-1990), que encerrou seu governo com a inflação em alta e a popularidade no chão.

Em conversas recentes com empresários e líderes tucanos que lhe fizeram cobranças desse tipo, Temer afirmou que a interinidade impõe limites à sua atuação e prometeu que, depois que o processo de impeachment acabar, será ele quem irá cobrar dos aliados a aprovação de medidas econômicas impopulares.

O julgamento da presidente afastada, Dilma Rousseff, pelo Senado terá início na próxima quinta-feira (25) e deve ser concluído até dia 31. Se Dilma for condenada, Temer deixará de ser interino e terá a missão de governar até o fim de seu mandato, em 2018. (Folha de S.Paulo – Valdo Cruz e Gustavo Uribe)