As mãos pequeninas fazem um sinal de chamamento. É o jeito encontrado por Pedro Miguel Soares, de 1 ano e 6 meses, para que sua mãe, Bárbara Stephany Soares, 21, o entregue seus brinquedos. Ele bem que tenta pegar sozinho, mas as perninhas não sustentam seus 32,1 kg, peso que o impede de engatinhar e dar os primeiros passinhos, como faria uma criança da mesma idade. Enquanto isso, o menino passa a maior parte do dia sentado, observando seu irmão de 4 anos, David Gabriel Soares, correr e pular por toda a casa, no bairro Nova Pampulha, em Vespasiano, na região metropolitana da capital.

Essa é a rotina do bebê, que já atingiu o peso de uma criança de 10 anos e precisa controlar a alimentação com uma dieta equilibrada. Os médicos que o atendem não chegaram a um diagnóstico conclusivo, e a mais recente suspeita do mal que o acomete é uma síndrome rara, conhecida como Prader-Willi. “Meu desespero é porque ele só engorda, e não sei o motivo. Eu quero que ele viva como uma criança normal, que possa andar, brincar, ir para a escola”, diz Bárbara.

Histórico – Pedro nasceu em dezembro de 2014, com 3,930 kg, considerado normal. Com apenas um mês, chegou aos 6,5 kg, algo que não havia causado estranhamento aos médicos dos postos de saúde da cidade. O susto chegou em março de 2015, quando ele atingiu os 9,550 kg, peso equivalente ao de uma criança de 1 ano. “Foi aí que os médicos falaram que tinha algo errado. Ele sempre mamou muito, em torno de 30 minutos por mamada, mas ele engordou isso tudo só com leite?”, indaga a mãe.

E assim o menino Pedro alcançou os 32,1 kg: sem a família entender como. De origem simples, Bárbara procurou atendimento especializado, conseguindo que seu filho fosse acompanhado no Hospital Infantil João Paulo II e no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, na capital.

Segundo ela, mesmo após inúmeros exames, que sempre constatavam colesterol e triglicérides elevados, o real distúrbio do menino é incerto. A solução emergencial dos médicos foi cortar a amamentação e introduzir uma dieta totalmente restritiva a produtos industrializados e rica em frutas, verduras e legumes. Quando esse cardápio foi instituído, Pedro já pesava 25,850 kg.

Resultado – Nos seis meses que o pequeno faz a dieta, o quadro clínico melhorou, porém Pedro seguiu ganhando peso. Seu desenvolvimento motor foi afetado, já que não consegue nem ensaiar os primeiros passos.

O pequeno se mantém sentado para tudo, incluindo na hora do banho, em que a mãe precisa colocá-lo no chão do banheiro para conseguir higienizá-lo. A respiração é muito ofegante o tempo todo, já que a gordura pressiona os órgãos e dificulta a circulação de oxigênio. E o problema se intensifica durante o sono, em que o bebê chega a acordar pelo menos seis vezes por noite. (Por Débora Costa)