A Kroton aumentou sua oferta e o conselho de administração da Estácio aceitou os novos termos para ser adquirida pela rival direta, informaram as companhias de educação superior privada nesta sexta-feira (1º). A operação é avaliada em cerca de R$ 5,5 bilhões.

A fusão cria uma gigante universitária no país, ao unir a atual líder e a vice-líder do setor. Segundo estudo da CM Consultoria com base em dados do MEC de 2014, a união com a Kroton geraria uma instituição com mais de 1 milhão de matrículas de graduação.

Às 11h30, as ações ordinárias da Kroton subiam 5,14%, para R$ 14,30, as ordinárias da Estácio avançavam 2,88%, a R$ 17,45, e as de mesmo tipo da Ser Educacional -que disputava a Estácio com a Kroton- tinham valorização de 0,64%, a R$ 12,55.

A nova oferta da Kroton envolve relação de troca de 1,281 ação de sua emissão por cada papel da Estácio e também distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas da Estácio de R$ 170 milhões, o que representa cerca de R$ 0,55 por papel da companhia. A ação da Kroton encerrou na véspera cotada a R$ 13,60.

“O Conselho de Administração da Estácio, em reunião realizada ontem (quinta), manifestou que está de acordo com os termos econômicos da nova proposta da Kroton, desde que os demais termos da operação sejam estabelecidos de forma satisfatória”, afirmou a Estácio em comunicado ao mercado nesta sexta-feira.

A Estácio informou ainda que seu conselho vai se reunir em 8 de julho para avaliar todas as condições da proposta da Kroton, antes de convocar assembleia de acionistas da companhia. A operação ainda depende de alguns trâmites administrativos e da aprovação das autoridades regulatórias. Analistas do setor consideram que a fusão da Estácio com a Kroton enfrentaria restrições do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

A compra da Estácio vai reforçar o poder de mercado da Kroton com a adição de cerca de 600 mil alunos a sua base de 1 milhão de estudantes no país.

Disputa

Na quarta-feira (29), a Ser Educacional havia aumentado sua proposta pela fusão com a Estácio.
A Ser havia elevado para R$ 1 bilhão a proposta que havia feito no início de junho, em que oferecia R$ 590 milhões como prêmio aos acionistas da Estácio para unir as duas empresas. A proposta representava um aumento de R$ 1,92 para R$ 3,25 por ação da Estácio na distribuição dos dividendos aos atuais acionistas da rede fluminense.

A Kroton começou com uma proposta em que as duas empresas se fundiriam e os atuais acionistas da Estácio receberiam ações da Kroton. Cada ação com voto da Estácio valeria 0,977 da ação da líder do setor. Como a relação foi considerada insuficiente pela Estácio, a Kroton elevou o número para 1,25 ação de sua emissão por papel da rival. Mas ainda ficou longe do 1,6 que a família Zaher, uma das principais acionistas, gostaria de alcançar ou do 1,4 que poderia ser considerado meio-termo.

A família Zaher é a segunda maior acionista da Estácio, com aproximadamente 13% de participação. Representada por seu assessor financeiro, Nelson Rocha Augusto, a família tem conversado com bancos e pretende oferecer cerca de R$ 2 bilhões aos fundos que são acionistas da Estácio em troca de elevar a participação familiar para 51% e impedir a venda à Kroton.

A notícia de que a família poderia elevar sua participação gerou desconforto dentro do conselho da empresa. Também indispôs Chaim Zaher, hoje presidente da Estácio, e outros sócios da rede, investidores institucionais que também têm papéis da Kroton, e que já deram sinais de que estão de acordo com a união com líder do setor.