Segundo tempo. De fora da área, Rivaldo arrisca o chute. Kahn dá o rebote e Ronaldo completa para o gol, aos 21 min. Brasil 1 x 0 Alemanha. Kleberson avança pela direita, corta pelo meio e toca na frente. Com a classe que sempre o acompanhou, Rivaldo faz o corta-luz e a bola sobra para o gênio da camisa 9 ajeitar e bater de direita no canto esquerdo de Kahn, aos 33 min. Brasil 2 x 0 Alemanha.

Os lances dos dois gols do Fenômeno fazem parte de uma época em que a seleção brasileira era referência no esporte, servia como espelho a equipes de todo o planeta, influenciava postulantes a craques do futuro e fazia a festa de um povo que batia no peito e se vangloriava por viver no único país pentacampeão mundial. Há exatos 14 anos, em Yokohama, no Japão, o Brasil conquistava sua quinta taça da Copa.

A data traz um sentimento de nostalgia, uma saudade de um tempo em que a equipe verde-amarela era o orgulho de uma nação e, ao mesmo tempo, faz os torcedores lembrarem que o momento atual é outro.

Se outrora a seleção passava confiança a seus aficionados – e, no mínimo, caía de pé nas derrotas, após lutar bravamente pelos triunfos –, o que se vê hoje é um time sem cara, sem coração e que carrega consigo uma ferida eterna, o 7 a 1 sofrido para a Alemanha, justamente o país que foi o adversário da final de 2002.

O fracasso mais recente, a eliminação na primeira fase da Copa América, demonstram que o combinado canarinho ainda está longe de repetir os feitos de Pelé, Garrincha, Tostão, Rivelino, Gérson, Romário, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros ícones de um passado glorioso.

As esperanças recaem sobre Tite, um dos mais vitoriosos treinadores no cenário nacional dos últimos anos. Caberá ao ex-técnico do Corinthians a missão de reascender a chama da seleção e fazer o canarinho renascer como uma fênix. Caso contrário, a equipe poderá amargar mais um vexame histórico, o de ficar de fora, pela primeira vez, de uma Copa do Mundo. Justo o país que mais abocanhou troféus de campeão mundial. (Por Thiago Prata)