Rodoviários de São Luís realizam trâmites judiciais para deflagrar movimento grevista. Categoria planeja suspender as atividades por causa de atrasos salariais e suspensão de benefícios como plano de saúde e tíquete-alimentação, em oito empresas que atuam na capital. Conforme Isaias Castelo Branco, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (Sttrema), todas as empresas que atuam no transporte público da Grande São Luís e que estão em desacordo com a Convenção Coletiva de Trabalho, serão paralisadas na terça-feira, dia 3.
A administração do Consórcio Upaon-Açu, principal alvo de reivindicações dos rodoviários, culpa Prefeitura de São Luís pela situação, alegando que péssimas condições das vias e desequilíbrio econômico causado, entre outras coisas, pela defasagem tarifária, prejudicam o cumprimento de compromissos com fornecedores e colaboradores.
Por não haver acordo entre trabalhadores e empresários para regularização dos salários e benefícios atrasados, rodoviários podem suspender atividades nos próximos dias, conforme destacou o representante da categoria, Isaias Castelo Branco. Segundo ele, órgãos públicos estão sendo notificados sobre a decisão e, três dias após a conclusão desta etapa, motoristas e cobradores cruzarão os braços.
“Com informação passada durante a audiência, de que eles não têm condições de pagar o salário dos trabalhadores, não tem outra saída, vamos ter de cuidar de todos os trâmites legais e nosso departamento jurídico já está trabalhando nisso, para encaminharmos para uma paralisação. Após 72 horas das notificações feitas ao Ministério Público, Superintendência Regional do Trabalho, Justiça do Trabalho, Prefeitura, aos consórcios, enfim, todas as instituições interessadas, poderemos interromper as atividades. Mas, durante este período, nos mantemos dispostos a dialogar com a patronal”, esclareceu.
Segundo Castelo Branco, sete das nove empresas que compõem o Consórcio Upaon-Açu têm pendências com os funcionários e, até o momento, nenhuma delas manifestou intenção de regularizar a situação. Para ele, os empresários penalizam os trabalhadores, visando atingir a gestão municipal, uma vez que estas justificativas são dadas há três anos.
“O discurso deles é muito antigo. Alegaram evasão de receita, foram colocadas as catracas eletrônicas para resolver. Depois alegaram fraude e que se fossem combatidas não se precisaria nem de reajuste de tarifas e a bilhetagem eletrônica foi colocada para acabar com esse problema, mas eles ainda insistem que tem. Agora eles voltam com essas e outras alegações que precisam ser resolvidas com o poder público, não punindo o trabalhador, sem pagar salário, para poder chegar onde eles querem. Os empresários se acostumaram a usar os trabalhadores para alcançar os objetivos deles. Eles atrasam os salários, suspendem os benefícios, na tentativa de fazer com que os trabalhadores estrangulem o sistema até chegar nessa situação”, reclamou o sindicalista.
Um ângulo
Paulo Pires, administrador do Consórcio Upaon-Açu, descredibilizou a declaração feita pelo presidente do Sttrema. “É uma declaração falaciosa quando diz que ‘usamos’ os trabalhadores, porque só enxerga um ângulo do problema. Salários, fornecedores e frota estão no mesmo patamar de inadimplência. A afirmação dele não é infundada, mas não representa todo o problema financeiro”, rebateu o administrador.
De acordo com Pires, os problemas são causados pela omissão do Município em aspectos que vão desde a melhoria das vias da cidade à fiscalização e combate ao transporte clandestino de passageiros.
“As empresas são obrigadas, por contrato, a realizarem grandes investimentos em frota sem a devida contrapartida do Município, tal contrapartida não é apenas aumento tarifário, compreende também combate a fraudes, combate aos transportes clandestinos de vans e carrinhos lotação, pois estes só levam os pagantes do sistema, não aceitam meia-passagem nem gratuidades. Isso vem corroendo o sistema e, a cada ano, dilapidando as empresas. Sem falar da nossa cobertura asfáltica, que é a pior da cidade e até hoje nunca foi resolvida”, declarou.
Ainda segundo o administrador, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de São Luís (SET) ingressou com ação contra a gestão municipal solicitando o reequilíbrio econômico do sistema e alertando para os riscos que o não cumprimento gera à prestação dos serviços, uma vez que o aumento de tarifa de remuneração é garantido em contrato e deve ser feito anualmente para ajustar salários e gastos com combustíveis, que representam cerca de 75% dos custos das de transporte de passageiros.
Pires argumentou que, sem o reajuste, os problemas podem ser intensificados. “Todas as empresas do sistema de transporte hoje passam por dificuldades em cumprir todos os compromissos com fornecedores e colaboradores e a perspectiva é de que, no próximo semestre, várias delas encerrem as suas atividades”, revelou. (O Estado)