Professora Helen Barreto (de listrado) finaliza o relatório hidrográfico com os geógrafos Veruska Costa e Thomas Jefferson. (Foto: Divulgação)
Em fase de conclusão, o mapeamento hidrográfico do bioma amazônico maranhense apontou que o Maranhão possui rios maiores e em mais quantidade do que se acreditava até então. Os resultados preliminares foram apresentados na última semana pela equipe do Zoneamento Ecológico-Econômico do Maranhão (ZEE-MA). Coordenado pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), o estudo descobriu que a Amazônia Maranhense possui uma quantidade muito maior de rios e que rios como Pindaré e Maracaçumé são maiores do que se imaginava.
De acordo com a geógrafa Helen Barreto, responsável do eixo Recursos Hídricos do ZEE, o novo levantamento irá oferecer mais precisão para a cartografia da Amazônia Maranhense.
“O levantamento precisou redefinir os limites dos trechos de drenagens, das massas de água, das áreas alagáveis e das bacias hidrográficas, uma vez que os mapas do Departamento de Serviço Geográfico (DSG) são ainda da década de 1970 e estavam fora do padrão cartográfico exigido nacionalmente. É natural que, com as novas tecnologias de imagens por satélite e radar, estes mapas sejam atualizados”, explicou Helen Barreto, que é professora do Departamento de Geociências da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), uma das instituições parceiras do Imesc na realização do ZEE-MA.
Repensar o uso da água
Com os dados levantados será possível medir possíveis impactos gerados pela agricultura, pecuária e mesmo habitação sobre os rios, lagos e fontes do Maranhão. “É a partir destes dados que é possível definir quais áreas podem ser utilizadas para agricultura, quais devem ser preservadas, que territórios podem ser licenciados para a indústria para retirada de águas. Conhecer esses dados afeta toda a vida das cidades e comunidades presentes no território de uma bacia hidrográfica”, destaca o coordenador do ZEE-MA, Luiz Jorge Dias.
Conhecer melhor a hidrografia é fundamental para evitar tragédias ambientais como a que hoje afeta o Rio São Francisco. Após anos de retirada indiscriminada de suas águas para lavouras, pastagens e outros fins, o São Francisco, que é um dos principais rios que corta o Centro-Oeste e o Nordeste, apresenta hoje um assoreamento alarmante e o mais baixo volume em reservatórios importantes, como Três Marias (MG) e Sobradinho (BA).
No Brasil, se retiram, em média, 2.057,8 m³/s dos rios, córregos, lagoas, lagos e reservatórios; sendo que 46,2% vão para a irrigação. Nas últimas duas décadas, houve um aumento de 80% na quantidade de águas para o consumo total, com perspectiva de crescimento de mais 30% até 2030.
“Os mapas utilizados até então para a definição das atividades de exploração de recursos hídricos fazem parte da base nacional de dados do IBGE e da Agência Nacional de Águas. Após a aprovação da proposta de revisão das informações hidrográficas realizadas pelo zoneamento, a ideia é mostrar para os órgãos nacionais que o que se tem hoje pode ser melhorado, e que eles possam regulamentar isso”, afirmou o presidente do Imesc, Felipe de Holanda.

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