Parece brincadeira de mau gosto, mas não é. Numa cartilha que foi distribuída durante um curso promovido pela Associação de Futebol Argentino (AFA) para dirigentes, jogadores, técnicos e jornalistas que irão à próxima Copa do Mundo, na Rússia, constava uma página com “dicas” para “ter chances com uma garota russa”.
Entre os conselhos estavam: “as garotas russas, como qualquer outra, reparam muito se você é limpo, se cheira bem e se está bem vestido. A primeira impressão é muito importante. As garotas russas não gostam de ser vistas como objetos, e odeiam homens chatos. Não seja negativo. Não faça perguntas típicas, tente ser original.” Mais: “Elas gostam de homens com iniciativa, se você não tem, pratique com outras mulheres antes.”
A cartilha, que se chama “Idioma e Cultura Russa – Pensando no Mundial” foi distribuída nesta terça-feira (15) durante uma palestra de 3 horas. Ao longo da jornada, alguns dos que a receberam perceberam o conteúdo misógino e machista das orientações começaram a tirar fotos e a divulgar pelas redes sociais.

O curso, gratuito, foi contratado pela AFA como uma breve preparação para os profissionais que irão ao evento. Apesar de o professor, Eduardo Pennisi, não pertencer à AFA, a instituição foi quem promoveu a ideia, e por isso recebeu diversas críticas.
Pennisi é um professor de música que estudou na ex-União Soviética. Acabou desabafando depois, dizendo que tinha copiado as dicas de sedução de um blog. Mas já era tarde. Quando os responsáveis pelo curso se deram conta, pediram para recolher os cadernos e logo os devolveram aos que o assistiam sem as páginas destinadas à conquista de mulheres.
O resto do conteúdo, porém, não era muito melhor. Por exemplo, resume a história russa de modo simplório e reducionista. “Deixou de ser um Império para ser um sistema totalitário”, “nunca conheceram a democracia como conhecem agora.” Mais, ao explicar como eram os tempos soviéticos, diz: “Eram comunistas do tipo mais duro, por exemplo, tinham Lênin e Stálin”. Tudo isso para concluir que os russos “têm mentalidade imperialista” e “nunca devem ser criticados em público”.
Muitos assistentes começaram a deixar a sala, outros gargalhavam, enquanto as passagens mais vergonhosas iam viralizando nasredes sociais. A AFA pediu desculpas e disse que a cartilha apenas havia sido revisada por professoras de russo, sem focar no conteúdo.
Resposta da federação
Questionadas sobre a cartilha, as autoridades da AFA informaram ao site argentino Toda Pasión que realizarão um processo administrativo para investigar os detalhes do caso e verificar as responsabilidades da produção do material. A federação ainda não se pronunciou oficialmente. (Por: Sylvia Colombo, da Folhapress)

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